Gallo barbearia_branding_bruno conteúdo

A cauda longa da Gallo

O conceito de cauda longa deve extrapolar o ambiente virtual, sempre que possível.

Kevin Costner ouviu uma vez, em Campos dos Sonhos, filme de 1989: “se você construir, ele virá”. Parece fácil na teoria, né?

Tomando a frase como referência e fazendo relação com 2017, nos deparamos com um mercado do século XXI com mais concorrência entre as empresas, menos diferenciais tangíveis entre elas e mais controle nas mãos dos consumidores.

A falta de diferenciação racional dos produtos direcionou as companhias para um tipo de exercício diferente, com o qual não estavam familiarizadas.

Elas tiveram que criar marcas e conceitos que se destacassem emocionalmente das concorrentes, como uma maneira de definir uma posição pioneira de negócio.

Então o processo de construir uma conexão emocional (e positiva) entre marca e consumidor se deu ao longo do tempo, de forma que a mensagem fosse sempre envolvente e impactante.

E faz sentido. Há evidências que apoiam a importância das emoções em influenciar a jornada de compra do consumidor. Mas é uma conexão emocional com as marcas que os clientes realmente querem? Na verdade não.

Deck mágico

Em um mercado cada vez mais cético, os consumidores estão procurando e conectando-se com marcas que lhe são ‘úteis’, que fornecem valor real e proporcionam a melhor experiência possível.

Enquanto a emoção pode ser vista como “um algo a mais”, a experiência exitosa do consumidor é uma vantagem competitiva para o futuro.

A Gallo Barbearia, um salão exclusivo à clientela masculina, inaugurou sua loja mais ou menos 10 meses depois do que, viria a ser, o seu principal concorrente.

Não foi exatamente como largar em último lugar, mas algumas questões sobre atração e fidelização do público devem ter tirado algumas noites de sono de seus sócios.

No entanto, não necessariamente (e também) pensando nessa questão, a Gallo foi planejada com uma peculiaridade frente aos outros estabelecimentos do gênero.

Ela possui um deck ao ar livre, concebido na frente da loja. Um privilégio que permite às pessoas sentarem, experimentarem as melhores cervejas artesanais e pedirem alguns petiscos.

Gallo barbearia_branding

E tudo isso independente do objetivo da visita. Você pode estar ali para cortar o cabelo e fazer a barba. Ou não.

É notável que a Gallo assume uma posição distinta em relação a todas as outras barbearias da região. Não estou entrando no mérito do que é melhor ou pior.

Apenas fica claro o planejamento buscando algo diferente, em benefício da experiência de quem vai usufruir daquele espaço.

Além da carta de cervejas, do chopp cortesia, do Playstation 4, do ambiente, da camaradagem e tudo o mais que um serviço desse tipo pode oferecer, o deck do lado de fora é a cauda longa da Gallo.

Inclusive essa estrutura permitiu, com uma sinergia incrível, a realização de um evento de food truck com o pessoal do Skullburguerhá cerca de um mês.

O deck é aquele item com volume de buscas baixo, uma característica quase impensável na hora formatar uma barbearia, mas que no fim das contas traz um retorno incrível.

“Se você construir, ele virá”

Uma das maiores provas da boa experiência oferecida e do boca-a-boca espontâneo (e positivo) que o empreendimento tem experimentado é a procura das mulheres pelo serviço.

Mesmo sabendo que o atendimento é voltado – único e exclusivamente – para o público masculino, algumas meninas já ligaram para a barbearia não apenas perguntando, e sim pedindo para que os barbeiros passem a atendê-las.

E isso nos remete a frase do início do texto, “se você construir, ele virá”.

No filme, Kevin Costner ao construir o campo de baseball acaba atraindo um grande nome da história do esporte, Joe Jackson, que aparece para conhecer e experimentar o espaço.

Mais tarde uma dezena de outros jogadores também chega para jogar na nova arena.

A analogia, ainda que um pouco torta, é a de que pensando em um velho ou novo negócio, em algum momento você deve ter como prioridade à construção de experiências. E então todo o resto virá.

É claro que isso não é uma receita de bolo, mas a chance de êxito aumentará enormemente.

Conclusão

No que agora é comumente descrito como “a era do cliente”, torna-se mais importante para as marcas entenderem que as ações valem mais que palavras, ao mesmo tempo em que saibam usar esse cenário a seu favor.

A Gallo Barbearia está construindo um conceito que é só dela, e é bacana observar isso de perto.

Reiterando uma vez mais, que isso não é questão de ser superior. Trata-se apenas de convicção.